Por que nos reunimos de casa em casa?
Reunir-se de casa em casa é um elemento tão essencial para a vida da Igreja quanto o partir do pão. O ato de abrirmos nossas casas para nos assentarmos à mesa com nossos irmãos precisa ser ainda mais enfatizado nos dias de hoje, quando o cristianismo é muitas vezes resumido à frequência de cultos. Acreditamos que a vida da Igreja não se resume à programação realizada no templo, pois a Igreja é uma família e, portanto, os lares devem ser parte essencial de nossos encontros. Quando abrimos nossas casas, demonstramos nossa disposição em romper com a superficialidade dos relacionamentos típicos de muitos ambientes religiosos, mostrando a intenção de abrir nossas vidas para que os irmãos de Jesus também façam parte de nossas vidas. Quem congrega conosco sabe do esforço realizado para reunir os irmãos à mesa, o que torna ainda mais importante a promoção de uma liturgia enxuta e uma programação leve, permitindo que os irmãos tenham tempo para estar juntos.
Como funciona o “De Casa em Casa”?
Abrir as casas para os encontros de “de casa em casa” é uma disposição promovida pelo Espírito Santo no coração da Igreja, ocorrendo de forma natural e espontânea entre os irmãos. A liderança da igreja local promove esses encontros para facilitar a constância das reuniões. Diferente de uma célula, o objetivo do “De casa em casa” não é a multiplicação nem a revisão da pregação dominical (embora isso possa acontecer), mas sim a comunhão cristocêntrica. Durante esses encontros, os irmãos partem o pão, oram juntos, compartilham suas vidas e aperfeiçoam suas relações em prol da glória de Deus e edificação da Igreja. As únicas atividades essenciais nos encontros de “De casa em casa” são o partir o pão e as orações, pois é através desses meios que a comunhão ocorre, enquanto o ensino doutrinário já é abordado nos cultos públicos (At 2:42). As demais atividades podem acontecer livremente, desde que busquem a saúde integral da Igreja.
Esses encontros acontecem regularmente em diversas casas de irmãos que atuam como apascentadores na igreja local. Todos os membros podem se informar sobre os encontros através do presbitério, da diaconia, dos apascentadores ou de outros membros da Família dos que Creem.
O que o partir do pão de casa em casa representa para nós?
O partir do pão é a celebração mais sublime da vida da igreja local. Ele simboliza a cristocentralização da comunhão, a materialização da sã doutrina, o anúncio da excelência e suficiência da obra redentora de Jesus, além de ser uma proclamação do seu glorioso retorno. O objetivo do culto dominical, que também inclui a Ceia do Senhor, é nos lembrar de que fomos salvos pela obra redentora de Deus por meio de Cristo. Já o propósito do partir do pão de casa em casa é nos recordar de que fomos salvos para sermos uma família de muitos filhos semelhantes a Jesus. Ao nos reunirmos de casa em casa e partirmos o pão, exaltamos o aspecto familiar da Igreja, compartilhando necessidades, tristezas e alegrias, coisas comuns da vida cristã. Embora sejam aspectos ordinários, quando centrados em Cristo, esses momentos anunciam o glorioso Evangelho.
Por que partimos o pão?
Embora partimos o pão por ser uma ordenança do Senhor Jesus, há outras razões que nos movem a essa prática:
- Seguir a tradição cristã dos primeiros cristãos: Os princípios da tradição cristã foram estabelecidos no primeiro século, e todas as vezes que perpetuamos essa prática com entendimento e sinceridade, honramos os pais da fé e respeitamos essa tradição. Em outras palavras, partimos o pão de casa em casa e no culto público porque Jesus, os apóstolos e os primeiros cristãos assim faziam.
- Centralizar Cristo: Quando feito com a motivação e entendimento corretos, o ato de partir o pão centraliza Cristo. Embora nem sempre em todos os lugares onde o pão é partido Cristo seja glorificado (cf. 1Co 11:17-34), quando é feito em memória de Cristo, Ele certamente será glorificado. O partir do pão nos lembra do motivo pelo qual nos reunimos, trazendo à memória o intuito central de nosso encontro: a comunhão cristocêntrica.
- Ensinar a ser como Cristo: O partir do pão não é apenas um rito memorativo, mas uma pedagogia que nos remete à vocação do nosso Messias — e consequentemente à nossa vocação, que é dar a vida pelos nossos irmãos. Ao partirmos o pão com entendimento, somos encorajados a cumprir nossa vocação de não só nos relacionarmos com os irmãos, mas de gastar nossa vida (tempo, recursos e energias) para que Cristo seja edificado neles.
