O Salmo 17 é um clamor angustiado, de alguém que se sente completamente desamparado, mas que sabe que há alguém que o ouve. É uma oração que retrata a vida de Davi como um todo, e não apenas um momento isolado.
Davi era um mestre na arte dos clamores, das orações de súplica. E podemos dividir este salmo em três partes.
Primeiro clamor: examina-me. Davi deixa clara sua posição diante de Deus, a sinceridade do seu coração, e clama para que o Senhor o sonde. Ele não se considerava impecável; pelo contrário, não era hipócrita nem vivia uma vida dupla. Deus conhecia o seu coração e o sondava continuamente.
Segundo clamor: protege-me. Os versos 7 a 9 revelam mais um exemplo da fragilidade de Davi. Eles mostram que ele não buscava teorias, mas refúgio. Davi reconhecia que necessitava de um Salvador.
Terceiro clamor: levanta-te. A oração que começa com “ouve-me” termina com “levanta-te”. É um clamor que amadurece, que reconhece onde está o verdadeiro deleite e a verdadeira riqueza. Davi fixa o olhar naquilo que sabe que o satisfará por toda a eternidade. Sua satisfação final não está na ausência de batalhas, mas em contemplar a face do Deus Eterno.
“Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é.” – 1 João 3:2
Oração de Davi
¹ Ouve, Senhor, a causa justa, atende o meu clamor! Dá ouvidos à minha oração, pois ela não procede de lábios enganosos.
² Venha da tua presença o julgamento a meu respeito; os teus olhos veem com equidade.
³ Sondas o meu coração, de noite me visitas, provas-me no fogo e não encontras em mim nenhuma iniquidade; a minha boca não transgride.
⁴ Quanto às obras humanas, pela palavra dos teus lábios eu tenho me guardado dos caminhos do violento.
⁵ Os meus passos se acostumaram às tuas veredas, os meus pés não resvalaram.
⁶ Eu te invoco, ó Deus, pois tu me respondes; inclina os ouvidos para mim e ouve as minhas palavras.
⁷ Mostra as maravilhas da tua bondade, ó Salvador daqueles que à tua direita se refugiam dos seus adversários.
⁸ Guarda-me como a menina dos olhos; esconde-me à sombra das tuas asas.
⁹ Protege-me dos perversos que me oprimem, dos inimigos que me assediam de morte.
¹⁰ Insensíveis, eles cerram o coração e falam com lábios insolentes;
¹¹ andam agora cercando os nossos passos e fixam em nós os olhos para nos derrubar.
¹² Parecem-se com o leão, ávido por sua presa, ou o leãozinho, que espreita de emboscada.
¹³ Levanta-te, Senhor! Enfrenta-os e arrasa-os! Com a tua espada livra a minha alma do ímpio.
¹⁴ Com a tua mão, Senhor, livra-me dos homens deste mundo, cuja porção é desta vida e cujo ventre tu enches com os teus tesouros; os quais se fartam de filhos e o que lhes sobra deixam aos seus pequeninos.
¹⁵ Eu, porém, na justiça contemplarei a tua face; quando acordar, me satisfarei com a tua semelhança.
Salmos 17:1-15 | NAA
