O salmo 22 inicia o primeiro capítulo da derradeira trilogia de encerramento desta série de sermões. O salmo 22 aponta profeticamente, nas palavras de Davi, para o futuro sofrimento e triunfo do Messias.
O Senhor se expôs ao sofrimento, rodeado por seus algozes, em estado de humilhação e abandono, experimentando a mais excruciante e horrorosa morte, derramando a sua vida na cruz. Mas Deus transformou aquele horrendo cenário no palco da sua glória e da sua justiça. Nosso Senhor e Salvador simpatizou com os aflitos, sentindo em sua carne os males deste mundo decorrentes da queda, e triunfou sobremaneira, de modo que anunciamos a sua justiça e os seus feitos (Sl 22.30-31).
Nós não somos otimistas, pois reconhecemos os efeitos da queda no mundo; tampouco somos pessimistas, pois temos a vívida esperança de que o Pai ressuscitou seu Filho dentre os mortos e mudou para sempre como as coisas são. Na verdade, somos realistas esperançosos, pois Cristo sofreu e venceu o mundo.
¹ Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? Por que se acham longe de minha salvação as palavras de meu gemido?
² Deus meu, clamo de dia, e não me respondes; também de noite, porém não tenho sossego.
³ Contudo, tu és santo, entronizado entre os louvores de Israel.
⁴ Nossos pais confiaram em ti; confiaram, e tu os livraste.
⁵ A ti clamaram e escaparam; confiaram em ti e não foram envergonhados.
⁶ Mas eu sou verme e não um ser humano; afrontado pelos homens e desprezado pelo povo.
⁷ Todos os que me veem zombam de mim; fazem caretas e balançam a cabeça, dizendo:
⁸ “Confiou no Senhor! Ele que o livre! Salve-o, pois nele tem prazer.”
⁹ Contudo, tu és quem me fez nascer; e me preservaste, estando eu ainda ao seio de minha mãe.
¹⁰ A ti me entreguei desde o meu nascimento; desde o ventre de minha mãe, tu és o meu Deus.
¹¹ Não te distancies de mim, porque a tribulação está próxima, e não há quem me ajude.
¹² Muitos touros me cercam, fortes touros de Basã me rodeiam.
¹³ Contra mim abrem a boca, como faz o leão que despedaça e ruge.
¹⁴ Derramei-me como água, e todos os meus ossos se desconjuntaram; meu coração fez-se como cera, derreteu-se dentro de mim.
¹⁵ Secou-se o meu vigor, como um caco de barro, e a língua se me apega ao céu da boca; assim, me deitas no pó da morte.
¹⁶ Cães me cercam; um bando de malfeitores me rodeia; traspassaram-me as mãos e os pés.
¹⁷ Posso contar todos os meus ossos; os meus inimigos estão olhando para mim e me encarando.
¹⁸ Repartem entre si as minhas roupas e sobre a minha túnica lançam sortes.
¹⁹ Tu, porém, Senhor, não te afastes de mim; força minha, apressa-te em me socorrer.
²⁰ Livra a minha alma da espada, e, das presas do cão, a minha vida.
²¹ Salva-me da boca do leão e dos chifres dos búfalos; sim, tu me respondes.
²² A meus irmãos declararei o teu nome; no meio da congregação eu te louvarei.
²³ Louvem o Senhor, vocês que o temem; glorifiquem-no, todos vocês, descendência de Jacó; temam-no, todos vocês, posteridade de Israel.
²⁴ Porque não desprezou nem detestou a dor do aflito, nem ocultou dele o seu rosto, mas o ouviu, quando lhe gritou por socorro.
²⁵ De ti vem o meu louvor na grande congregação; cumprirei os meus votos na presença dos que o temem.
²⁶ Os sofredores hão de comer e fartar-se; louvarão o Senhor aqueles que o buscam. Que o coração de vocês viva para sempre!
²⁷ Os confins da terra se lembrarão do Senhor e a ele se converterão; diante dele se prostrarão todas as famílias das nações.
²⁸ Pois do Senhor é o reino, é ele quem governa as nações.
²⁹ Todos os ricos da terra hão de comer e adorar, e todos os que descem ao pó se prostrarão diante dele, até aquele que não pode preservar a própria vida.
³⁰ A posteridade o servirá, e se falará do Senhor à geração vindoura.
³¹ Virão e anunciarão a justiça dele; ao povo que há de nascer, contarão que foi ele quem o fez.
Salmos 22:1-31 | NAA
